Se há uma palavra para descrever o que foi ver o Pearl Jam nessa tour no Brasil, acho q seria “intenso”. Frio, trânsito, desencontros e muito cansaço em SP; calor, tensão (havia esquecido minha carteirinha de estudante), indignação (taxistas tentaram nos passar a perna duas vezes, e barraram a entrada de simples barras de chocolate no estádio, além da péssima qualidade do ‘tradicional’ churrasco gaúcho servido num famoso restaurante) e dificuldades para voltar ao hotel em PoA, foram alguns dos acontecimentos marcantes naqueles dias.
Se um nome deve ser lembrado em nossa saga, sem dúvida esse é: Lambertucci. O que era para ser apenas um encontro de amigos para celebrarem os 20 anos de existência da banda preferida se transformou em odisséias dignas de serem registradas nas páginas dos livros de história do Rock n’ Roll. Vários autógrafos, 3 palhetas, 1 pandeiro, várias fotos, filmes e histórias pra contar, foi o que membros dessa família conseguiram angariar em momentos que misturavam consideração, tietagem e – porque não – farofagem e malandragem.
A sexta-feira começa com um acontecimento histórico – minha bolsa de mestrado finalmente foi liberada. Tá, isso nada tem a ver com o show, mas mesmo assim é memorável. Combinei (ou pelo menos achei que havia) com a Fernanda, nossa fotógrafa oficial, que eu a buscaria no hotel na Av. Rebouças, antes de seguir para CGH para encontrar o resto da galera que acamparia em minha casa. Depois de enfrentar um trânsito sinistro (e que é normal de se encontrar na Rebouças), chego ao hotel e recebo a informação de que ‘a Srta Fernanda já saiu, só deixou a mala’... De cara já bateu o desespero e a vontade de socar alguém. Resolvo esperar uns 20 min na porta, até que recebo uma mensagem em meu celular: “Perdi o vôo!”... Era meu amigo Hugo. Achei que o dia não fosse acabar bem, pensei que seríamos seqüestrados pelo cara da van, ou que nossos ingressos seriam falsos, enfim, muita m**** estava acontecendo. Ledo engano, felizmente. No caminho para o Morumbi, conseguimos achar a Fernanda, que ainda apareceu na van com 3 ingressos sobrando na mão. Hugo e Matheus conseguiram chegar a tempo no estádio. Daí pra frente não tivemos mais surpresas.
A Fernanda foi embora no sábado pro RJ, ver os caras na Apoteose, enquanto o resto do pessoal ficou em minha casa até domingo. Na segunda-feira recebo uma ligação: “A Fernanda pegou o pandeiro do Eddie Vedder!!!” Resolvi reativar minha conta no Facebook e lá estava a felizarda com uma bandeira e um pandeiro na mão... Pra minha surpresa, havia mais umas 15 fotos de pessoas segurando o pandeiro!!! Correm boatos de que essas pessoas pagaram a quantia de R$50 para que pudessem ter acesso ao instrumento. (*)
Chega a tão esperada sexta-feira, dia 11. Havia combinado com o Bruno de nos encontrarmos todos no aeroporto, porém, ao chegar lá, cadê a galera? Ligo pro Bruno. Ele me diz que já foi pro hotel. Fico puto novamente. Ele responde: ‘É o seguinte, o Victor está no Sheraton com o Boom Gaspar, e eu estou indo pra lá agora’. Saí correndo pro hotel, fiz o check-in, encontro o Bruno no saguão. 5 minutos depois, chegam Hugo, Reginaldo e Ângela.
De lá, fomos para o hotel Sheraton, a pé, pois estávamos bem perto. Achei que fôssemos chegar e sair adentrando o recinto, e que encontraríamos o Victor batendo aquele papo descontraído com o tecladista, porém... Cheguei na porta e reparei que havia um pequeno cordão de isolamento, e lá estavam o Victor, a Carla e a Fernandinha (irmã de Victor e Bruno, não a que pegou o pandeiro), todos ostentando camisetas e câmeras fotográficas, na expectativa de ter algum momento registrado com algum membro da banda (**). Fiquei puto de novo, ‘mas que p**** é essa, você me disse que o Victor estava com o Boom Gaspar...’, ‘É, ele passou por aqui... Tirei uma foto dele, você quer ver?’.
Minha fome era negra, assim como a vontade de matar o Bruno. Tirei uma palheta do bolso, que tinha um desenho do Rappa, que ganhei de um guitarrista de uma banda cover de U2 de BH, dei pra Fernandinha e disse: ‘tome, se o Mike McCready passar por aí, dê essa palheta pra ele... Eu vou almoçar, falou.’
Minha esposa Andressa ainda viu o Victor na porta do hotel quando voltávamos do almoço, ela foi até ele e deu uma barrinha de chocolate, pois eles ainda não tinham almoçado. Mais tarde, no hotel, a Fernandinha me grita no saguão: “BORRACHA!!! Tenho um presente pra você!!!”. Ela enfiou a mão no bolso e tirou uma palheta, diferente da que eu havia dado pra ela. De um lado tinha um “I”, e do outro um desenho e os caracteres “PJMM-A”. Antes que eu pudesse perguntar alguma coisa, ela me mostra um vídeo do Mike McCready recebendo a palheta que eu a havia entregue, e ele respondendo “Obrigado! Deixa eu ver se tenho uma minha... Pra trocar”. Já fiquei de cara por ela, que ficou sem almoçar e plantada na porta do hotel por horas, ter me dado a palheta... E outra, eu não fazia idéia de que o Mike McCready ao menos passaria por ali, muito menos de que ele só dá palhetas para quem entrega alguma coisa pra ele, como uma moça comentou com ela no hotel!!!
Ao chegarmos ao estádio, conseguimos um lugar bem próximo à grade. O Victor ostentava uma camiseta branca com um desenho feito pela Fernanda – a silhueta do rosto do Eddie Vedder que mais parecia um pastor alemão. Durante o show, um segurança chamou o Victor... Achei que fosse dar merda (uma tiazinha arrumou confusão com o Victor no começo do show, porque ele levantava a camiseta e ela, atrás dele, não enxergava nada. Talvez ela tivesse dito aos seguranças que ele estivesse tumultuando o local). Entretanto, ele esticou a mão e entregou algo ao meu amigo. Uma palheta do Eddie Vedder! O Victor ficou conversando com o segurança na porta do Sheraton, no meio do show o segurança o reconheceu e deu pra ele uma palheta que havia caído no espaço entre o palco e a platéia.
No outro dia, descemos para o café. Cadê o Victor? “Foi pra porta do hotel” – Cara, de novo? Ele foi entregar uma camisa dos Dissidents, nossa banda cover de PJ, para alguém da banda. Saímos sem ele, Carla e Fernandinha. Mais tarde, tomando cerveja no Mercado de PoA, chegam os três, lívidos. Eles estiveram cara a cara com o Ed Vedder. ‘E aí, o que vocês falaram pra ele’? “Nada...”. ‘Vocês entregaram a camisa’? “Não, não tive reação...”. Nessa hora, seu certificado de Cambridge vai pro vinagre, você não se reconhece e não consegue distinguir a Xuxa do Pelé. Ficamos sabendo que o Eddie havia reconhecido a camiseta do pastor alemão no show, aí ele viu a Fernandinha usando a camiseta no hotel e pediu pro segurança chamá-la. ‘E aí, Fernanda?”, “Véi, nem sei, ele só me levou pra trás da van...”(***). O que ele fez atrás da van, ela insiste em não dizer, e curiosamente não há sequer uma foto com ele, um filme, nada que possa ser comprometedor futuramente...
No fim do dia, fartos pelo jantar, estávamos vendo o jornal e... Estava lá o pastor alemão estampado na página de entretenimento. Êxtase total. Roubamos as páginas que já devem ter sido escaneadas e postadas em algum perfil de Facebookson.
Em suma... Victor, Carla e Fernanda(s) fizeram a diferença nessa tour. Não sabia quão fã eles eram... Nem sei se tudo começou por pura empolgação e brincadeira, porém tiveram seus esforços recompensados à altura. E garantiram a diversão da turma.
(*) O valor cobrado para se tocar no instrumento é R$5, porém caso queira uma fotografia, é cobrado um valor adicional de R$45 – sem direito a equipamento profissional.
(**) Das 362 fotos tiradas, 15 eram de algum membro da banda, o resto era de membros da equipe e dos seguranças, que ao descerem das vans eram surpreendidos pelos flashes. Alguns até faziam pose. Provavelmente foi daí que o Victor fez amizade com um dos seguranças...
(***) Há boatos de que Ed Vedder, atrás da van, tirou um baseado do bolso e disse à Fernandinha: ”Got some if you need it”. Outras pessoas afirmam que ele a mostrou seu “Stickman”. Acho que ele foi mesmo foi receber o dinheiro que a Carla prometeu à banda, caso eles tocassem Wishlist no Morumbi e em PoA.
Leonardo Borracha,
ResponderExcluirminha aventura de 1 minuto com o Eddie Vedder foi quase perfeita! Ao observar a minha ansiedade no caminho da van, rapidamente, ele assinou a minha camisa. Contudo, como a camisa do pastor alemão era para a Carla eu pedi a ele, com meu inglês chulé, que assinasse minha camisa do 10c. Depois disso, como eu já estava tremendo muito e começando a chorar, ele pacientemente olhou no fundo dos meus olhos, NO FUNDO, como quem diz: "mais alguma coisa senhorita?". Eu, sem muito raciocinar, apenas agradeci e ele foi embora.
Algumas coisas passaram na minha cabeça. Enquanto ele assinava a camisa que eu estava vestida, ele escolheu bem o lugar para assinar, eu pensei em dizer que minha prima (Fernanda) estava muito feliz com o pandeiro que havia ganhado no show do Rio, mas quem disse que eu lembrava que pandeiro era 'tambourine'? Em seguida, enquanto assinava a minha camisa pensei em contar a ele que a banda era muito importante para a minha família, pois sempre nos reuniamos para tocar as suas canções...
Enfim, foi 1 minuto, muito pouco. O que eu consegui com isso foi reconhecer que eles são pessoas simples, aparentemente, coisa que eu não achava...
Obs.: é claro que olhar o Eddie nos olhos e poder reparar muito em seu rosto foi muito bom! Vai ser bonito lá na p*** que pariu!